Inovação em Neurociências: Principais destaques do NeuroSpark Symposium 2026
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O recente NeuroSpark Symposium 2026 afirmou-se como um ponto de encontro estratégico para a discussão da inovação em biomarcadores de sangue aplicados às Neurociências. Reunindo especialistas de Neurologia e Patologia Clínica, o evento destacou-se pela sua forte componente translacional, com sessões centradas na integração da evidência científica na prática clínica.
Ao longo do simpósio, foram destacados os seguintes pilares:
Esclerose Múltipla (EM): o papel dos biomarcadores na monitorização e decisão terapêutica
A sessão dedicada à Esclerose Múltipla reforçou o papel dos Neurofilamentos de Cadeia Leve (NfL) como um biomarcador robusto de atividade inflamatória aguda e lesão axonal, com valor na monitorização da doença e na avaliação da resposta terapêutica. Foi sublinhada a importância do seu doseamento e da definição de protocolos de monitorização estruturados, alinhados entre Neurologia e Patologia Clínica, como suporte a decisões clínicas mais precoces e informadas.
A discussão destacou ainda a relevância da interpretação do NfL através de Z-scores e percentis ajustados para idade, em detrimento de valores absolutos isolados, para corrigir os fatores de confundimento fisiológicos.
Adicionalmente, foi evidenciado o papel complementar da proteína ácida fibrilar glial (GFAP), particularmente na identificação de processos de progressão independente de surtos (PIRA). A utilização combinada de NfL e GFAP foi apontada como uma estratégia promissora para capturar, de forma mais abrangente, tanto a atividade inflamatória como a componente neurodegenerativa da doença, com potencial impacto em decisões de otimização terapêutica. Assim como, no contexto de novas abordagens terapêuticas em investigação.
Alexandre Guedes da Silva, Presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), partilha a sua perspetiva sobre como é que a substituição de procedimentos mais invasivos por biomarcadores de sangue podem mudar a relação do doente com a sua própria doença e com o sistema de saúde. Sónia Batista, do serviço de neurologia da ULS Coimbra, explica como é que a integração destas inovações está a transformar não só a prática clínica clínica, como também a qualidade de vida e autonomia dos doentes com EM. Carlos Lemos, do serviço de patologia clínica da ULS Santa Maria, leva-nos aos bastidores, destacando o papel crucial do laboratório. Afinal, qual é o verdadeiro impacto que a rapidez na produção e entrega de resultados tem para quem anseia por respostas?
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Carlos Capela, Diretor do Centro de Responsabilidade Integrado de Esclerose Múltipla (CRI EM), foca-se em oferecer todos os cuidados de saúde num só local para melhorar a jornada do doente, e comenta sobre a forma como a introdução de biomarcadores de sangue podem ser o elo que faltava para tornar o modelo do CRI EM ainda mais ágil, sem sobrecarregar os recursos hospitalares. João Cerqueira, do serviço de neurologia da ULS Braga, referiu uma “nova era” com os novos biomarcadores sanguíneos e partilha a sua visão sobre de que forma a avaliação destes biomarcadores, realizados através de uma simples análise sanguínea, podem ajudar nas várias fases da jornadas da pessoa com EM. Joana Guimarães, do serviço de neurologia da ULS São João, aborda a forma como biomarcadores como o NfL e o GFAP permitem entender melhor a progressão silenciosa e ajustar a terapêutica, permitindo um melhor acompanhamento de pessoas com EM.
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Demências: a evolução para uma jornada diagnóstico com biomarcadores sanguíneos
Na área das demências, foi destacado o papel emergente dos biomarcadores de sangue na redefinição da jornada diagnóstica, permitindo a transição para modelos mais acessíveis e menos invasivos, com potencial para ampliar o acesso ao diagnóstico e melhorar a estratificação das pessoas com suspeita de doença de Alzheimer.
Entre os biomarcadores discutidos, o pTau217 assumiu particular relevância, nomeadamente pela sua utilização em abordagens baseadas em valores de corte duplos (rule-in/rule-out). Foi salientada a importância de metodologias analíticas que minimizem o número de resultados indeterminados e maximizando a utilidade clínica do biomarcador.
A discussão centrou-se também na necessidade de integrar estes biomarcadores em algoritmos diagnósticos claros e consensualizados, bem como na importância da sua interpretação em contextos clínicos especializados. Face à heterogeneidade das apresentações clínicas da doença de Alzheimer, incluindo formas atípicas e a presença de comorbilidades, foi reforçado o valor de uma abordagem multidisciplinar por profissionais de saúde experientes na área.
Neste contexto, biomarcadores adicionais como o NfL e o GFAP foram valorizados como ferramentas complementares, particularmente no apoio ao diagnóstico diferencial. A utilização de perfis combinados (ex.: pTau217 com NfL) foi apontada como uma estratégia relevante para distinguir entre o continuum da doença de Alzheimer, outras patologias neurodegenerativas e causas não neurodegenerativas de declínio cognitivo.
Isabel Santana, Diretora do serviço de neurologia da ULS Coimbra, refere a importância da deteção precoce e aborda como é que novas ferramentas de diagnóstico podem revolucionar o percurso assistencial da pessoa com sintomas de demência. Já Alexandre Mendonça, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, perante um desafio crescente de saúde pública, partilha a sua perspetiva sobre como é que os biomarcadores de sangue podem ajudar os neurologistas no diagnóstico e quais os benefícios para as pessoas com sintomas de demência.
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Inês Baldeiras, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, aborda como é que estas novas ferramentas de diagnóstico podem revolucionar o percurso assistencial da pessoa com sintomas de demência. Já Rui Araújo, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, partilha a sua perspetiva sobre como é que os biomarcadores de sangue podem ajudar os neurologistas no diagnóstico e quais os benefícios para as pessoas com sintomas de Alzheimer. Tiago Gil Oliveira, Vice-Presidente do Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência (GEECD), avalia o papel da investigação clínica em biomarcadores de sangue na aceleração de novos ensaios clínicos e na descoberta de tratamentos para que consigamos mais anos com qualidade de vida para as pessoas com demência.
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Com um programa altamente científico e orientado para a prática, o NeuroSpark Symposium consolidou-se como uma plataforma relevante para impulsionar a adoção de biomarcadores nas neurociências. O evento destacou, de forma consistente, que a articulação entre o laboratório e a clínica será determinante para a implementação eficaz destes avanços na prática clínica em Portugal e para o benefício das pessoas com doenças neurológicas e suas famílias.
NP-PT-00419 - junho 2026
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