Estigma afasta portugueses de rastreio de IST
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O estigma continua a ser a principal barreira ao rastreio das infeções sexualmente transmissíveis (IST), com 45% dos portugueses (quase metade da população) a não realizar exames de rastreio, mesmo que digam saber o que são, como se transmitem e o que se deve fazer para as prevenir.
Esta é uma das principais conclusões do estudo “Perceção da população portuguesa sobre as infeções sexualmente transmissíveis”, realizado pela GfK Metris em parceria com a Roche Portugal, apresentado na 3.ª edição do ID Symposium, uma iniciativa da Roche que reúne especialistas para um dia de debate sobre as IST.
Os números confirmam a percepção generalizada de que o rastreio deve ser regular, mesmo sem sintomas, com 53% dos inquiridos a defenderem o rastreio anual. Mas mais de quatro em cada dez não o fazem, ainda que exista uma elevada compreensão da gravidade de uma IST não tratada: 69% referem a morte como principal consequência, 53% falam em infertilidade e 52% em cancro. O que significa que a baixa adesão não se deve apenas ao desconhecimento.
De facto, 32% consideram existir barreiras e a principal parece ser o estigma, em que para 59%, há vergonha ou constrangimento em pedir o teste (sobretudo nas idades entre 36-45 anos e nos solteiros) e para 30% existe o medo da exposição perante familiares, amigos ou colegas.
O inquérito revela ainda a existência de um bom conhecimento sobre os exames básicos, como análises ao sangue, confirma que a população parece sentir-se confortável em falar sobre ISTs com o(a) médico(a) de família, sobretudo os mais velhos, e dá conta de um elevado conhecimento sobre tratamento/cura destas doenças.
No entanto, mostra um desconhecimento relevante sobre sintomas menos óbvios e sobre a possibilidade de infeções assintomáticas e refletem a existência de desinformação: no caso do VIH, apesar de 89% saberem que é tratável, 14% ainda acreditam que é curável; no que diz respeito ao herpes genital, 49% consideram que pode ser curado, mas trata-se de uma infeção crónica, em que os antivíricos suprimem surtos, mas não eliminam o vírus.
Mais e melhor informação
No geral, 92% da população afirma saber o que são as ISTs, mas há uma grande diferença entre ISTs muito conhecidas como o VIH (97%), a sífilis (80%) ou a Herpes (80%), e outras igualmente relevantes e pouco reconhecidas, como a candidíase (53%) ou a clamídia (45%). E sabe também que as ISTs podem ser transmitidas por relações sexuais sem preservativo, identificado por 93% como a principal via de transmissão, seguida do sangue contaminado (48%) e da partilha de seringas (45%).
A maioria reconhece o risco associado ao número de parceiros e a portadores assintomáticos e sabe que é possível prevenir ou curar as ISTs. Há, no entanto, grandes diferenças geracionais no conhecimento das medidas preventivas: os mais jovens possuem uma visão mais abrangente, enquanto os mais idosos recorrem a estratégias mais tradicionais ou incorretas.
O inquérito revela ainda que oito em cada dez dos inquiridos dizem nunca ter tido uma IST. E, dos 13% que respondem afirmativamente, as mulheres reportam quase o dobro de experiência face aos homens: 17% vs 9%. E confirma o desejo de mais e melhor informação, com 95% a considerarem ser vital falar sobre ISTs nas escolas.
Veja aqui a apresentação dos dados deste estudo.
Ficha técnica do estudo: O universo é constituído por indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em Portugal Continental. A amostra final integrou 1000 questionários completos e válidos. A recolha de informação decorreu entre os dias 29 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026.
NP-PT-00403 - maio 2026