Bolsas de Jornalismo dão autonomia e tempo aos jornalistas

 

Jornalista dedicada à área da Saúde há vários anos, Alexandra Campos foi uma das vencedoras da 1ª edição das Bolsas de Jornalismo, em 2018. Entende que a concessão de bolsas é um modelo mais interessante do que a atribuição de prémios, na medida em que “permite ao jornalista completa autonomia para trabalhar o tema que escolheu”.

 

Alexandra Campos foi para o terreno perceber a evolução da reforma dos cuidados de saúde primários, que é central na prestação de cuidados de saúde em Portugal.

 

“A conclusão não é animadora: a reforma continua a avançar em ziguezague, com avanços e recuos, o que se reflecte na desigualdade de acesso, que persiste, uma década e meia após o arranque”.

 

A atribuição da Bolsa permitiu à jornalista do Público uma ferramenta que vai rareando atualmente nas redações portuguesas: tempo para observer, escutar e falar.

 

“Sem a bolsa não teria conseguido visitar várias unidades de saúde familiar e unidades de cuidados de saúde personalizados no Porto, em Coimbra e em Lisboa. Os tais cidadãos de primeira e de segunda, os que estão inscritos em unidades de saúde familiar modelo B e os que não têm outra hipótese se não a de permanecer numa unidade de cuidados de saúde personalizados, muitos sem médico de família atribuído”.

 

Haverá caminho e margem no jornalismo para a especialização e aposta na área da saúde?

 

Alexandra Campos avança uma resposta cautelosa: “a especialização torna-se deveras complicada numa altura em que os jornais se confrontam com uma crescente falta de meios e de recursos até para cativar profissionais com anos de experiência nesta área. Basta olhar para a quantidade de jornalistas especializados em saúde que optaram por deixar a profissão para se perceber até que ponto deixou de ser atractiva”.

   

Apesar de o jornalismo ser central para contribuir para melhorar a vida dos doentes e também os cuidados de saúde no seu todo, as missões da profissão não são fáceis nas circunstâncias atuais:

 

“Os jornalistas são poucos, a maior parte são jovens, com contratos precários, e mesmo os mais experientes são muitas vezes obrigados a desistir da sua missão central, a de serem mediadores. Submersos por uma avalanche de informação, estão hoje muito dependentes de fontes de informação organizadas (...) e os doentes e os cidadãos em geral ou utentes dos serviços de saúde  são muitas vezes excluídos da esfera noticiosa. A sua voz não se faz ouvir.”

 

As Bolsas de Jornalismo, iniciativa do Sindicato de Jornalistas em parceria com a Roche, avançaram agora para a sua 2ª edição. As candidaturas estão a decorrer até ao dia 30 de novembro. Saiba mais aqui .